Pedro Henrique- Explique o desenho do cartaz.
Pablo Ferretti- O desenho é uma releitura em nanquim de um auto-retrato que fiz para minha graduação no Instituto de Artes em 2001, o mesmo ano em que mudei de cidade. O trabalho original consistia em duas pinturas formando um diptico, o retrato incompleto e um quadro abstrato, feito de manchas. Uma espécie de dissolução, ou irresolução, condizente com a minha idéia de imagem na pintura.
PH- Você está olhando para trás.
PF- A idéia começou com o fato de olhar para a cidade como um ponto de partida, mas num sentido pessoal e afetivo. Por mais contraditório e idiossincrático que isso possa parecer, talvez não existam pontos de partida, nem fio, nem meada. Se estamos sempre seguindo adiante, nunca voltamos. É um pouco como caminhar de costas, guiado por um espelho.
PH – Cuidado. E porque a minha frase?
PF- Sempre me assombraram as possibilidades da casualidade. A frase original foi construída com imas de geladeira, desses que formam frases. Você tinha uns 6 anos, estava brincando com eles e me mostrou esta frase, O MISTERIO DA GRANDE ALEGRIA E SELVAGEM, que eu gosto muito, é como se tivesse uma força anterior ao seu significado e tem um ritmo interessante. O seu sentido, bem, pode ser absurdo ou uma verdade. Gosto também de apócrifos e as infinitas frases mal atribuídas a pessoas ilustres. Ou colocações que soam erradas quando se aprende uma determinada língua, que não necessariamente são erradas, mas que soam estranhas. O que significa para você?
PH – Como o título do seu trabalho, ANOTHER FALSE START.
PF – Hum...
PH- Fale um pouco do projeto.
PF- Esse é um trabalho pessoal, mas aberto e impessoal no sentido que a combinação do texto e imagem remonta a uma nova construção de significados. Da mesma forma, a distribuição da obra no espaço público tem a intensão de gerar uma fresta na paisagem urbana. Mas por ser uma fresta chama-se a atenção do publico não como uma entidade única, mas uma multiplicidade de unidades. A idéia do projeto cria novas possibilidades a cada colagem pois os espaços são dinâmicos, e a repetição é importante para o consumo da obra. Portanto cada cartaz nosso será apenas parte de um conjunto maior.
PH- A realidade é arbitrária.
PH- Mas se você está caminhando de costas, não está caminhando para frente.
PF/ PH- Obrigado.